terça-feira, 30 de outubro de 2007

uma foto por dia 126#


[impressões]

Um auto-presente

Nespresso? Ir comprar propositadamente café ao Chiado e ficar horas em filas? Não, obrigada.



Esta sim... vai ser a minha máquina de café [capuccino e chocolate quente!]

Adenda ao post anterior

Não fazer é nada, implica poder fazer isto:

- sentar-me no sofá a ver filmes e séries, non stop.
- ler, até que me dê o sono.

...

Chamem-lhe desmotivação, chamem-lhe o que quiserem... o que é certo é que não tenho vontade de fazer nada a não ser preparar e dar as minhas aulas.

[Podia ser pior. Eu sei.]

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Ainda os rankings

Perante esta polémica dos rankings há uma questão muito importante a tocar: a forma como a avaliação externa se processa.

No ano passado, a escola onde dei aulas foi sujeita a uma avaliação externa rigorosa por parte de uma equipa da Inspecção geral de Educação. Foram ouvidos coordenadores de ano (onde estava incluida), conselho executivo, conselho pedagógico, professores sem cargos, auxiliares de acção educativa, pais e equipa de psicologia. Foi feita uma análise cuidadosa ao projecto curricular de escola, ao projecto educativo, ao plano anual de actividades bem como ao regulamento interno. Observaram o funcionamento da escola e foram às salas de aula. As entrevistas tiveram por base tudo todos os documentos analisados: as questões focaram-se sobretudo na dinâmica escolar e na aplicação e verificação dos objectivos e actividades descritos nos projectos apresentados.
Apontaram-nos algumas fragilidades, levantaram algumas questões pertinentes mas ficámos muito satisfeitos com a nota que recebemos em Junho e assumimos o compromisso de melhorar os aspectos mais fracos que nos foram indicados.

Tudo para dizer que a avaliação das escolas não se faz única e exclusivamente pelas notas que os alunos apresentam. Eu pergunto: será que as escolas privadas têm bons projectos educativos? Será que os pais têm conhecimento desses projectos educativos, dos seu objectivos, das suas linhas orientadoras? Que peso têm estes projectos na escolha de uma escola? Ou os pais só se seguem pelos rankings?
Se as escolas públicas são avaliadas pelos parâmetros que podemos encontrar aqui, porque não fazer o mesmo com as escolas privadas? Porquê dar importância a rankings criados a partir de avaliações internas tremendamente influenciadas pela avaliação externa?

Perante um sistema que faz vénia ao facto das escolas privadas não admitirem alunos com necessidades educativas especiais mas que elogia as escolas públicas de não os descriminar; perante um sistema que exige (e muito bem) planos curriculares alternativos para estas crianças mas que contraditoriamente permite que esses alunos com NEE entrem nestas provas e também nas provas de aferição (apesar de assumirem nos relatórios finais que tal não acontece), não é de admirar que os resultados sejam sempre estes e que as escolas públicas fiquem sempre longe dos lugares cimeiros.

E falam em equidade, validade e fiabilidade das avaliações e neste caso, da avaliação externa? Perante um sistema organizado desta forma, isso sim, ainda é uma utopia.

uma foto por dia 125#


[...]

...

Em dias assim lembro-me sempre do poema que a professora Teresinha, de Língua Portuguesa, me deu a conhecer, andava eu no 9º ano de escolaridade. Foi a única professora que me fez chorar quando o ano lectivo chegou ao fim e só esteve connosco três meses... Assim se vê que não é o tempo que nos faz sentir mais próximos de quem quer que seja [pelo menos comigo].

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe uma paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...


Alberto Caeiro
in O Guardador de Rebanhos

sábado, 27 de outubro de 2007

uma foto por dia 123#


[está quase]

Mudanças

Acabaram as castanhas assadas em cartuchos de papel de lista telefónica. Acabaram os velhos carrinhos, os assadores de barro e a sarapilheira que mantinha as castanhas quentes.
Agora temos carrinhos de inox e sacos de papel castanho com reservatório para as cascas. Tudo em nome da saúde pública.

A tradição já não é o que era. E nestes casos, tenho muita pena.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

uma foto por dia 121#


[as minhas meninas adoram cor-de-rosa, como eu!]

Life goes on

É engraçado como algumas pessoas deixam de fazer qualquer sentido com o passar dos tempos. É engraçado e não tem qualquer tipo de piada... Pessoas que antes eram próximas, deixam de o ser porque simplesmente não nos identificamos mais com a sua forma de estar, de viver e de sentir o dia-a-dia. Tornam-se estranhas, não nos reconhecemos nas suas palavras, nos seus gestos e atitudes. Não nos sentimos cativados, ficamos desprendidos e aos poucos, inconscientemente ou não, vamos quebrando o elo de ligação.

O problema surge quando em vez de sentirmos isso como uma complicação, sentimos essas rupturas como um grande alívio e descobrimos que andámos cegas durante muito tempo. Aí percebemos que, provavelmente, o grande problema está em nós e não nos outros.

...