A espera passou de um acto digno a uma atitude pouco meritória. Passou a ter uma carga negativa que, com os anos, se foi agravando ao ponto dos outros acharem que somos uns "iludidos".
"Não esperes isso de mim", "Não cries expectativas", são expressões recorrentes que ouvimos na boca do povo e agora, mais do nunca, na boca dos jovens. Acho graça a isso de "viver o dia de hoje e não pensar no amanhã"; acho piada porque, das duas uma: ou não sabem o que querem (o que nem sempre é mau, pois podem querer saber e andam nessa viagem) ou sabem e não o querem admitir, preferindo enganar a sua própria existência nessa forma de estar, negando a si próprios que a espera é inata ao ser humano.
Eu gostava de saber como é que não se espera. Como se vive sem esperar... pelo dia de amanhã, por um almoço à beira-mar, por um email, por um telefonema, pela pessoa - a tal, pela felicidade? Costumo dizer que quem o diz, recorrentemente; quem refere vezes sem conta para não criar expectativas sobre eles próprios, são os que mais esperam e só o fazem porque sabem que a espera também magoa, dói nas entranhas e revolve o coração.
Haverá alguma coisa mais triste que saber que não se espera nada de nós? E no entanto, as pessoas fazem questão de o dizer, como se isso fosse a armadura perfeita para o seu coração.
Ao fim ao cabo, esperamos quase tudo, secretamente. Infelizes aqueles que acham que o mundo é melhor sem esperança. Esses não esperam, desesperam em silêncio e nem sempre alcançam.