segunda-feira, 17 de maio de 2010

O meu mundo não é deste reino


1 comentário:

Pitx disse...

ok, aceito, isto vai parecer um comentário, assim, daqueles que não têm que ver nada com o post mas acredita, deste-me dois motes:

- o meu mundo não é deste reino (vais ver, ainda virá aqui alguém dizer que és benfiquista por invocares a palavra do senhor jesus, já que é parecida com a frase que o dito cujo disse ao senhor pilatos, lá longe, há uns anos valentes). é, se calhar, presunçoso dizer-mos esta frase e assumimo-la como sendo um sentimento nosso, privado, interior. mas ao mesmo tempo não deixa de ser um desabafo, um grito de ipiranga mas do avesso. um suspiro de desalento. e aí, deixa de ser bonita, feia, inapropriada ou tola, passa, quase, a ser uma onomatopeia. como se fosse o barulho que as nossas mãos e braços fazem quando caem, desconchavadas, nos amparos dum maple.

- o pedro-augusto. não propriamente este quadro, que confesso, apesar de reconhecer o autor, não o conhecia. mas um outro, mais divulgado - e bonito, digo eu. - o le moulin de la galette. quando fui a paris, uma das coisas que quis viver, foi, precisamente o molin. queria estar ali, no sítio onde aconteceu esta festa. sei lá, como que se conseguisse resgatar (palavra mais cabotina para um comment, já viste?) o espírito do quadro. dois dias depois, quando então entrei na reconvertida gare d'orsay, quis deixar estes malandros - os impressionistas - para o fim. e estava quase a ser caricato: via-os ao longe mas gazia um enorme esforço para nem olhar para lá. assim, como se estivesse a comer o arroz todo no início, para então, refastelado, lambuzar-me de impressionistas até me escorrer molho pelos queixos.

luz, luz, luz. é de luz que, para mim, trata o impressionismo, esse carimbo que nos enebria e nos faz ficar ali, especados a espreitar de pertinho, como se estivéssemos a olhar pelo buraca da fechadura, na esperança de descobrirmos o segredo das tonalidades daqueles crepúsculos que não voltaram a ser representados por outro movimento artístico.

um dia hás-de ler umas coisas do mishima. lembro-me dos impressionistas quando, em adolescente imberbe, lia as coisas do mishima. ele enleava-nos com aquele espírito e, aqui e ali, espetava com aqueles crepúsculos orientais que me recordavam as cores e os tons dos impressionistas.

olha, fui falando, não ligues. deu-me para isto. gostei muito deste post. e gostei muito de rever a amélia.