Duas amigas minhas estão grávidas. Não sou de viver as suas gravidezes como se fossem minhas, além disso, já estive mais perto de ser mãe. Neste momento tenho o meu desejo em banho-maria, não aquece mas também não arrefece. Esta ali, para um dia levantar fervura quando assim tiver de ser. Desconfio que nesse dia (se acontecer) o tacho até deita para fora, mas isso são contas de outro rosário.
Mas de facto, as gravidezes das minhas amigas deixam-me feliz. Totalmente diferentes, na forma como aconteceram, no desejo intrínseco a cada uma, tanto a gravidez da I. como a da L. deixam-me assim a pensar que talvez um filho seja mesmo a plenitude da felicidade.
Enternecem-me os gestos, a forma como tocam nas barrigas, como deixam a mão pousada, como fazem festas continuamente, estejam de pé ou sentadas. Observo-as muitas vezes quase sem darem por isso e acho quem mesmo elas notam que estão a resplandecer de alegria: nos olhos, na pele, nos sorrisos e até na forma como falam.
Se a felicidade tivesse uma imagem, escolhia-as às duas para fazerem parte dessa fotografia.